Construir a Esperança nas Prisões

Os temas da reclusão e da liberdade mereceram destaque no início do Jubileu da Esperança e no seu encerramento. No dia seguinte à abertura da primeira Porta Santa, no dia 25 de dezembro, no Vaticano, o Papa Francisco deslocou-se à cadeia de Rebibbia, em Roma, para, também ai, criar uma porta jubilar destinada aos homens privados de liberdade.
Um gesto inédito na história dos jubileus. Habitualmente, são abertas as portas das quatro basílicas maiores de Roma (S. Pedro, S. Paulo, S. João de Latrão e Santa Maria Maior). Em 2025, o Jubileu teve cinco portas jubilares em Roma.
Este domingo celebrou-se o Jubileu dos Reclusos, o último dos grandes eventos jubilares antes do seu encerramento no próximo dia 6 de janeiro. A cadeia é um local em que, habitualmente, pontifica a tristeza, a revolta, o desespero… Um lugar em que é necessário implantar a esperança. Por isso, faz todo o sentido que tenha merecido este destaque no Jubileu da Esperança.
Jubileu dos Reclusos, Homilia do Papa Leão XIV
SANTA MISSA – Basílica de São Pedro

Ill Domingo do Advento, 14 de dezembro de 2025
Queridos irmãos e irmãs, hoje celebramos o Jubileu da Esperança para o mundo carcerário, para os reclusos e todos aqueles que se dedicam à realidade penitenciária. Graças a uma escolha rica de significado, fazemo-lo no terceiro domingo do Advento, que a liturgia define como “Gaudete!”, partindo das palavras iniciais da antífona de entrada da Santa Missa (cf. FI 4, 4). No ano litúrgico, este é o domingo “da alegria”, que nos lembra a dimensão luminosa da espera: a confiança de que algo de belo e alegre acontecerá.
A tal respeito, no dia 26 de dezembro do ano passado, o Papa Francisco, ao abrir a Porta Santa da igreja do Pai Nosso, na Penitenciária de Rebibbia, dirigiu a todos um convite: «Digo-vos duas coisas – afirmou. Primeiro: a corda na mão, com a âncora da esperança!Segundo: escancarai as portas do coração!». Referindo-se à imagem de uma âncora lançada à eternidade, além de qualquer barreira espaço-temporal (cf. Heb 6, 17-20), convidou-nos a manter viva a fé na vida que nos espera e a acreditar sempre na possibilidade de um futuro melhor. Porém, exortava-nos a ser, ao mesmo tempo e com coração generoso, agentes de justiça e caridade nos ambientes em que vivemos.
Ao aproximar-se o encerramento do Ano Jubilar, devemos reconhecer que, apesar do empenho de muitos, ainda há muito a fazer neste sentido, mesmo no mundo carcerário, e as palavras do profeta Isaías que ouvimos – «os que o Senhor libertar […] chegarão a Sião entre cânticos de júbilo» (Is 35, 10) – recordam-nos que Deus é Quem resgata e liberta, e soam como uma importante e exigente missão para todos nós. É certo que o cárcere é um ambiente difícil, onde mesmo os melhores propósitos podem encontrar inúmeros obstáculos. Contudo, precisamente por isso, não devemos cansar-nos nem desanimar ou recuar, mas avançar com tenacidade, coragem e espírito de colaboração. Com efeito, muitos ainda não compreendem que depois de cada queda deve ser possível levantar-se, que nenhum ser humano s e reduz ao que fez e que a justiça é sempre um processo de reparação e reconciliação.
Quando, mesmo em condições difíceis, se conservam a beleza dos sentimentos, a sensibilidade, a atenção às necessidades dos outros, o respeito, a capacidade de misericórdia e perdão, então, da terra dura do sofrimento e do pecado, brotam flores maravilhosas e, mesmo entre as paredes das prisões, amadurecem gestos, projetos e encontros únicos em humanidade. Trata-se de um trabalho direcionado aos próprios sentimentos e pensamentos, necessário às pessoas privadas de liberdade e, em primeiro lugar, a quem tem o grande ónus de representar entre elas e para elas a justiça. O Jubileu é um chamamento à conversão, sendo precisamente por isso motivo de esperança e alegria.
Por isso, acima de tudo, é importante olhar para Jesus, para a sua humanidade e para o seu Reino, no qual «os cegos veem e os coxos andam, […] e a Boa-Nova é anunciada aos pobres» (Mt 11, 5), recordando que, se às vezes estes milagres acontecem por intervenções extraordinárias de Deus, com mais frequência se encontram confiados a cada um de nós, à nossa compaixão, à atenção, sabedoria e responsabilidade das nossas comunidades e instituições.
E isto conduz-nos a outra dimensão da profecia que escutámos: o compromisso de promover em todos os ambientes – hoje com destaque particular para a s prisões – uma civilização fundada sobre novos critérios e, em última instância, sobre a caridade, como dizia São Paulo VI no final do Ano Jubilar de 1975: «Esta – a caridade – gostaria de ser, especialmente no plano da vida pública, […] o princípio da nova hora de graça e boa vontade que o calendário da história abre diante de nós: a civilização do amor (Audiência Geral, 31 de dezembro de 1975).
Para tal, o Papa Francisco desejava, em particular, que por ocasião do Ano Santo fossem também concedidas «formas de amnistia ou de perdão da pena, que ajudem as pessoas a recuperar a confiança em si mesmas e na sociedade» (Bula Spes non confundit, 10), e oferecer a todos oportunidades concretas de reinserção (cf. ibid.). Estou confiante de que em muitos países se dará seguimento ao seu desejo. Como sabemos, na sua origem bíblica, o Jubileu era precisamente um ano de graça em que a cada um se oferecia, de muitas maneiras, a possibilidade de recomeçar (cf. Lv 25, 8-10).
Também o Evangelho que ouvimos nos fala disto. João Batista, enquanto pregava e batizava, convidava o povo a converter-se e a atravessar de novo, simbolicamente, o rio, como no tempo de Josué (cf. Js 3, 17), para entrar na posse da nova “terra prometida”, isto é, de um coração reconciliado com Deus e com os irmãos. Nesse sentido, a sua figura de profeta é eloquente: era justo, austero, franco a ponto de ser preso pela coragem das suas palavras – não era «uma cana agitada pelo vento» (Mt 11, 7) -; e, ao mesmo tempo, era rico em misericórdia e compreensão para com aqueles que, sinceramente arrependidos, procuravam com esforço mudar (cf. Lc 3, 10-14).
A propósito, Santo Agostinho, num seu famoso comentário à passagem evangélica da adúltera perdoada (cf. Jo 8, 1-11), conclui dizendo: «Tendo partido os acusadores, ficaram
apenas […] a mísera e a misericórdia. E o Senhor disse-lhe: […] Vai e de agora em diante não tornes a pecar (Jo 8, 11)» (Sermão 302, 14).
Caríssimos, a tarefa que o Senhor vos confia a todos – reclusos e responsáveis pelo mundo carcerário – não é fácil. Os problemas a enfrentar são numerosos. Pensemos na sobrelotação, no empenho ainda insuficiente para garantir programas educativos estáveis de reabilitação e oportunidades de trabalho. E, a nível mais pessoal, não esqueçamos o peso do passado, as feridas a curar no corpo e no coração, as desilusões, a paciência infinita que é necessária – consigo mesmo e com os outros – quando se empreende um caminho de conversão, e a tentação de desistir ou deixar de perdoar. Não obstante o Senhor continua, acima de tudo, a repetir-nos que uma só coisa é importante: que ninguém se perca (cf. Jo 6, 39) e que todos «sejam salvos» (1 Tm 2, 4).
Que ninguém se perca! Que todos sejam salvos! É quanto deseja o nosso Deus, nisto consiste o seu Reino, em tal sentido se orienta a sua ação no mundo. Ao aproximar-se o Natal, queremos abraçar também nós e ainda com mais força o seu sonho, constantes no nosso empenho (cf. Tg 5, 8) e confiantes. Porque sabemos que, mesmo diante dos maiores desafios, não estamos sozinhos: o Senhor está próximo (cf. FI 4, 5), caminha connosco e, com Ele ao nosso lado, algo de belo e alegre acontecerá sempre.
Jubileu dos Reclusos – Entrevista ao Pe. José Luís Costa no Programa Ecclesia
Assista aqui: https://youtu.be/N42rUoQuj9s?si=B6W75nwIELfS7hxp
Em peregrinação!

Iniciamos a nossa jornada onde o coração de Portugal bate em Roma. A Igreja de Santo António dos Portugueses não é apenas um templo; é uma embaixada da alma lusitana. Fundada no século XV como hospital para peregrinos pobres e doentes, esta igreja é um triunfo do Barroco. Ao entrar, deixai que os olhos se habituem ao fulgor.
Ao contrário das catacumbas escuras, aqui tudo é luz, mármore policromado e ouro. Olhai para a cúpula: o fresco de Giovanni Odazzi cria uma ilusão de ótica perfeita, como se o teto se rasgasse e o próprio Céu invadisse o espaço.
Procurai o Santo António, o que prega aos peixes. A lenda conta que, em Rimini, perante
a indiferença dos homens de coração duro, o Santo virou-se para o mar. Os peixes, em cardumes ordenados, colocaram as cabeças fora de água para escutar a Palavra,
humilhando o orgulho humano. Que lição para nós, que tantas vezes temos ouvidos e não ouvimos.
Oração Inicial: “Glorioso Santo António, padroeiro do que está perdido. Hoje rezamos por todos os que perderam o rumo, a liberdade ou a esperança.
Tal como a vossa igreja brilha em Roma, fazei brilhar a luz de Cristo nas celas escuras das prisões e nos recantos sombrios do nosso coração. Amém.”

O trabalho do Pe. João Gonçalves na pastoral penitenciária foi um farol de esperança e ternura. O seu ministério, marcado pela dedicação incansável e um amor profundo pelos mais marginalizados, tocou inúmeras vidas, oferecendo dignidade, conforto e um caminho de redenção àqueles que mais precisavam. Ele foi um verdadeiro exemplo do Evangelho em ação.
Que o seu legado de compaixão e serviço continue a inspirar todos os que seguem os seus passos.

Rumo à Esperança: Pastoral Penitenciária participa no Jubileu dos Reclusos em Roma
Uma delegação da Pastoral Penitenciária prepara-se para levar as preces e anseios da população prisional ao coração da Igreja, numa peregrinação que culminará com o Jubileu dos Reclusos.
Entre os dias 12 e 14 de dezembro, a Pastoral Penitenciária viverá dias de intensa oração e comunhão em Roma. A peregrinação insere-se nas celebrações do Ano Santo Jubilar e tem como ponto alto a participação no Jubileu dos Reclusos, um momento singular de misericórdia convocado pelo Papa Francisco.
Peregrinos em Nome de Muitos
Embora as circunstâncias impeçam a presença física da maioria dos irmãos e irmãs privados de liberdade, esta peregrinação assume um caráter profundamente vicário. Os membros da Pastoral, voluntários e capelães, partem não apenas como indivíduos, mas como portadores das vozes, das dores e das esperanças de todos aqueles que acompanham diariamente nos estabelecimentos prisionais.
“Não vamos sós. Levamos na nossa bagagem espiritual o rosto de cada recluso, o sofrimento de cada família e o desejo de reintegração que nos move.”
O Significado do Jubileu
Sob o lema do Jubileu de 2025, “Peregrinos de Esperança”, estes dias em Roma serão marcados pela passagem pela Porta Santa. Este gesto simbólico representa a passagem do pecado para a graça, do isolamento para a comunidade, e, no contexto prisional, do erro para a oportunidade de uma vida nova.
A agenda da peregrinação, que decorre de 12 a 14 de dezembro, prevê momentos de catequese, celebração eucarística e o encontro com o Santo Padre. O Papa Francisco, que tem feito da atenção aos reclusos uma marca do seu pontificado, recorda frequentemente que “a esperança não deve ser sufocada entre quatro paredes”.
Um Apelo à Comunidade
A Pastoral Penitenciária convida toda a comunidade cristã a unir-se espiritualmente a esta jornada. Nestes dias, somos chamados a rezar especialmente:
Pela dignidade de todos os que se encontram privados de liberdade.
Pelas vítimas e pela reconciliação necessária na sociedade.
Pelos agentes da justiça e voluntários que trabalham pela humanização das prisões.
O Jubileu dos Reclusos em Roma será um momento para reafirmar que a misericórdia de Deus não conhece grades e que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a esperança permanece viva.
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FÁTIMA, PORTUGAL – [19, 09, 2025] – A Pastoral Penitenciária informa todos os seus agentes e a comunidade em geral para a sua peregrinação anual ao Santuário de Fátima, que se realizará no dia 20 de setembro. Este ano, o evento tem como tema “Na prisão com os Pastorinhos: Luz e Esperança para o nosso Ministério”, uma reflexão inspirada na experiência dos videntes de Fátima em 1917.
A peregrinação visa conectar a missão da Pastoral Penitenciária com o testemunho de fé e resiliência dos pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, que, ao serem presos, transformaram a sua cela num espaço de oração e confiança em Deus. O tema deste ano destaca a importância de levar a mesma luz de esperança a todos os reclusos.
"Tal como os Pastorinhos transformaram a sua prisão num lugar de oração, que nós possamos ser instrumentos da graça que transforma e liberta," afirma o Padre José Luís G. Costa, da Pastoral Penitenciária.
O encontro em Fátima será uma oportunidade para os participantes:
Refletir sobre a sua vocação à luz do testemunho dos videntes.
Rezar uns pelos outros e por toda a população prisional.
Pedir a intercessão de Nossa Senhora de Fátima para fortalecer a missão de levar a mensagem do Evangelho a quem se encontra atrás das grades.
Fortalecer os laços fraternos entre os agentes da Pastoral e partilhar as experiências do seu serviço.
A Pastoral Penitenciária espera a presença de todos para fazer deste dia um momento de renovação espiritual e de entrega do serviço aos pés de Nossa Senhora, em comunhão com o rosto de cada recluso que acompanham.
Sobre a Pastoral Penitenciária: A Pastoral Penitenciária é um serviço da Igreja Católica que tem como missão levar a esperança e o amor de Cristo às pessoas que vivem em situação de prisão, promovendo a sua dignidade humana e espiritual. Através de visitas, assistência religiosa e projetos de reinserção social, os seus agentes procuram ser uma presença de luz e apoio para quem se encontra em reclusão.

VÍDEO – XVIII encontro nacional da pastoral penitenciária (brevemente todos os vídeos do encontro):
Abertura (Pe. José Luís G. Costa)

XVIII ENCONTRO NACIONAL DA PASTORAL PENITENCIÁRIA / DOCUMENTOS:
Programa do XVIII Encontro Nacional:
http://pastoralpenitenciaria.pt/wp-content/uploads/2024/04/Programa-Encontro-XVIII-3.pdf
Carta aos colaboradores e voluntários:
Carta aos Assistentes:
Realizou-se nos dias 1 e 2 de abril, no Hotel Santo Amaro, em Fátima, o XVII Encontro Nacional de Pastoral Penitenciária. O encontro foi presidido pelo Sr. D. Joaquim Mendes, membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana. O encontro foi subordinado ao tema: ”Eu sou o caminho: Comunhão, Participação e Missão”.
Realizou-se no dia 21 de Novembro a Jornada Diocesana de Juventude, foi na Escola Básica e Secundária Pe. Alberto Neto em Queluz. O Pe. José Luís orientou um dos Ateliers Participativos sobre Experiência Pastoral na Prisão.

Levanta-te e testemunha que as existências fracassadas podem ser reconstruídas (…) os corações oprimidos pela tristeza podem reencontrar a esperança.
Encontro com Colaboradores e Voluntários
Sobre o tema: “Levantar-se entre grades”, vai realizar-se nom dia 23 de outubro o encontro com voluntários e colaboradores das nossas prisões. Será no Seminário dos Olivais entre as 9:30 e as 13h.

CONVERSAS NA ECCLESIA: “ARRISCAR NA CRIATIVIDADE” DE PROPOSTAS PARA IR ”ALÉM DA NORMALIDADE NA PRISÃO”
ENTREVISTA RENASCENÇA/ECCLESIA COM O PE. JOSÉ LUÍS COSTA:

“Prisões. Reintegração social deve começar “no momento em que o recluso entra”

