Oração

“Neste Ano Jubilar de 2025, somos convidados a ser “Peregrinos de Esperança“. Mesmo que os pés não possam caminhar até à Praça de São Pedro, o espírito não tem grades. Esta novena é uma viagem interior desde a cela até ao coração de Deus.

“Deixemo-nos, desde já, atrair pela esperança, consentindo-lhe que, por nosso intermédio, se torne
contagiosa para quantos a desejam. Possa a nossa vida dizer-lhes: «Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor» (Sal 27, 14). Que a força da esperança encha o nosso presente, aguardando com confiança o regresso do Senhor Jesus Cristo, a Quem é devido o louvor e a glória agora e nos séculos futuros.”


Meditação:
Chegámos ao fim da novena. Em espírito, estamos agora em Roma, diante do túmulo
de São Pedro. Pedro, que esteve preso e foi libertado por um anjo enquanto dormia. O anjo
tocou-lhe e as correntes caíram. Neste Ano Santo, pede o teu milagre. Não apenas o milagre
jurídico, mas o milagre de um coração que, mesmo preso, bate livre e cheio de alegria na fé.
Tu és peregrino!
Oração Final:
Senhor Deus, aqui estou, o Teu peregrino recluso. Ofereço-te esta novena pela minha
liberdade e pela conversão do meu coração. Que a indulgência e a esperança deste Jubileu
inundem as prisões de Portugal. Eu creio que o futuro será melhor. Eu creio na Esperança
que não engana. São Pedro, roga por nós! Amém!

Dia 8: Maria, a Advogada dos Presos


A Palavra (Spes non confundit, 24):
“Através do jovem Juan Diego, a Mãe de Deus fazia-nos chegar uma revolucionária mensagem de
esperança que, ainda hoje, repete a todos os peregrinos e fiéis: «Porventura não estou aqui Eu, que sou tuaMãe?» [20] Uma mensagem semelhante é impressa nos corações, em tantos Santuários Marianos espalhadospelo mundo, metas de inúmeros peregrinos que confiam à Mãe de Deus preocupações, sofrimentos e anseios. “


Meditação:
Nas prisões portuguesas, muitos terços são rezados em segredo ou em grupo. Maria é a
mãe que não tem medo de entrar na prisão para visitar o filho. Ela esteve ao pé da Cruz (a
pior das condenações) e está ao pé da tua cama. Ela entende a dor das mães que visitam e a
dor dos filhos que esperam. Agarra-te à mão Dela.
Oração:
Ave Maria, Senhora do Livramento, cobre-me com o Teu manto. Quando a solidão
apertar à noite, sê a minha companhia. Leva as minhas preces a Jesus. Que a Tua doçura
amacie a dureza deste lugar. Mostra-me o caminho.

Dia 7: Justiça Restaurativa e Fé


A Palavra (Spes non confundit, 22):

“O juízo de Deus, que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16), só poderá basear-se no amor, especialmente naquele que tivermos, ou não, praticado para com os mais necessitados, nos quais Cristo, o próprio Juiz, está presente (cf. Mt 25, 31-46). Trata-se, portanto, dum juízo diferente do juízo dos homens e dos tribunais terrenos; deve ser entendido como uma relação de verdade com Deus-amor e consigo mesmo dentro do mistério insondável da misericórdia divina”
Meditação:
Muitas vezes sentimos que a justiça humana falhou ou foi cega. Mas o Jubileu convida-
nos a olhar para a Justiça Divina. Deus não quer a vingança; quer a restauração. Ele quer
ver-te de pé, novo, capaz de contribuir para o bem. Acredita que a tua história não acabou no
dia da sentença. Deus está a escrever os capítulos seguintes, e são capítulos de vitória.
Oração:
Senhor Jesus, Justo Juiz, eu confio na Tua sentença sobre a minha vida: “Absolvido pelo
Amor”. Ajuda-me.

Dia 6: O Sonho do Reencontro


A Palavra (Spes non confundit, 9):


“Olhar para o futuro com esperança equivale a ter também uma visão da vida carregada de entusiasmo
para transmitir. Infelizmente, em muitas situações, temos de constatar que falta esta perspetiva. “

Meditação:
A saudade dói. A distância da família, agravada por vezes pelas dificuldades de
transporte ou burocracias das visitas em Portugal, é uma ferida aberta. Mas a esperança não
engana: o amor é mais forte que os muros. Usa este tempo para purificar os teus afetos.
Prepara o teu coração para ser melhor pai, melhor filho, melhor esposo quando a porta se
abrir.
Oração:
Sagrada Família de Nazaré, protege a minha família lá fora. Cuida dos que eu amo e
que sofrem com a minha ausência. Que este Jubileu seja um tempo de cura para as nossas
relações. Leva o meu amor até eles, como uma carta que não precisa de selo nem censura.
Amém.

Dia 5: Solidariedade atrás das Grades


A Palavra (Spes non confundit, 12):
“Por isso, que o Jubileu seja, na Igreja, ocasião para um impulso a favor deles: com renovada paixão, cuidemos dos adolescentes, dos estudantes, dos namorados, das gerações jovens! Mantenhamo-nos próximo dos jovens, alegria e esperança da Igreja e do mundo!”

Meditação:


A convivência na prisão é dura. Há atritos, há grupos, há desconfiança. Mas São Pedro,
na prisão, foi sustentado pela oração da comunidade. Olha para o lado. O teu companheiro
de cela ou de ala também sofre, também espera. A verdadeira “reintegração” começa aqui: ao
criar laços de humanidade num lugar desumanizado. Um cigarro partilhado, uma escuta
atenta, um “bom dia” genuíno são milagres jubilares.


Oração:


Espírito Santo, que unes os dispersos, faz de mim um instrumento de paz neste
pavilhão. Que eu não seja causa de discórdia. Ajuda-me a ver no outro não um rival, mas um
irmão de peregrinação. Que a nossa solidariedade quebre o isolamento. Amém.

Dia 4: O Perdão como Chave Mestra


A Palavra (Spes non confundit, 23):


“Perdoar não muda o passado, não pode modificar o que já aconteceu; no entanto, o perdão pode-nos permitir mudar o futuro e viver de forma diferente, sem rancor, ódio e vingança. O futuro iluminado pelo perdão permite ler o passado com olhos diversos, mais serenos, mesmo que ainda banhados de lágrimas.”


Meditação:


Talvez a maior prisão seja a culpa ou a mágoa contra quem nos denunciou, contra o
sistema, ou contra nós mesmos. O ódio é uma pena perpétua que impomos a nós próprios. O
perdão é a amnistia da alma. Neste Jubileu, o Papa pede atos de clemência aos governos, mas
pede-nos também a clemência interior. Perdoar é deitar fora o lixo tóxico do coração.


Oração:
Senhor, dá-me a coragem dos fortes: a coragem de perdoar. Liberta-me das correntes do
rancor. Hoje, mentalmente, entrego-te a minha lista de mágoas. Queima-a no fogo da Tua
Misericórdia. Quero ir a Roma leve. Amém.

Dia 3: A Dignidade que Ninguém Tira

A Palavra (Spes non confundit, 10):

“O que está estabelecido na Lei mosaica é retomado pelo profeta Isaías: «O Senhor (…) enviou-me para levar a boa-nova aos que sofrem, para curar os desesperados, para anunciar a libertação aos exilados e a liberdade aos prisioneiros, para proclamar um ano da graça do Senhor» ( Is 61, 1-2). São palavras que Jesusfez suas no início do seu ministério, declarando em Si mesmo o cumprimento do «ano favorável da parte do Senhor» ( Lc 4, 19)”Meditação:Por vezes, as condições materiais — o frio, a falta de privacidade, o barulho — fazem-nos sentir menos humanos. A sociedade lá fora pode rotular e esquecer. Mas a Bula do Papa é clara: a dignidade não se perde com o crime, nem com a pena. Tu és um filho amado de Deus. A tua farda ou o teu número de recluso não definem a tua alma. Ergue a cabeça; a tua dignidade é um selo divino.

Oração:

Deus Pai, quando o mundo me olha com desprezo, Tu olhas-me com amor. Restaura em mim o orgulho santo de ser Teu.

Dia 2: A Paciência como Resistência

A Palavra (Spes non confundit, 4):

“Mas em tais situações, através da escuridão, vislumbra-se uma luz: descobre-se que a evangelização ésustentada pela força que brota da cruz e da ressurreição de Cristo. Isto faz crescer uma virtude, que é parentepróxima da esperança: a paciência.”Meditação:O sistema é lento. A espera pelo julgamento, pela condicional, pela visita, ousimplesmente pelo fim do dia, pode ser desesperante. A “seca” do tempo morto é um dosmaiores desafios nas prisões portuguesas. Mas a paciência cristã não é resignação passiva; é”musculação” espiritual. É dizer ao tempo: “Tu passas, mas a minha esperança permanece”.Transformemos a espera em esperança.

Oração:

São Pedro, tu que esperaste na prisão de Jerusalém, ensina-me a paciência ativa. Que eunão conte os dias apenas para os riscar do calendário, mas para os preencher com pequenosgestos de bondade e oração. Que a minha espera seja um ato de fé. Amém.

Dia 1: A Porta que Nunca se Fecha

A Palavra (Spes non Confundit 6):

“Agora chegou o momento dum novo Jubileu, em que se abre novamente de par em par a Porta Santa para oferecer a experiência viva do amor de Deus, que desperta no coração a esperança segura da salvação em Cristo”.
No estabelecimento prisional, o som mais comum é o bater de portas pesadas e o girar de chaves que trancam. Isso pode criar uma sensação de fim de linha. Mas o Jubileu recorda-nos que existe uma “Porta Santa”. Em Portugal, onde as prisões lutam contra a sobrelotação e o desgaste, é fácil sentir-se apertado e sufocado. Hoje, fecha os olhos e visualiza a Porta do teu coração. Essa, guarda nenhum a pode trancar por fora. É aí que começa a tua peregrinação.

Oração:
Senhor Jesus, Tu que disseste “Eu sou a Porta”, entra hoje na minha cela. As paredes aqui são grossas, mas a tua graça atravessa o betão. Dá-me a alegria de saber que, no meu espírito, sou livre para Te receber. Amém.”